O facilitismo
Junho 19, 2008 at 12:23 pm | In 1 | Leave a CommentTags: Exames facilitismo
Em vésperas do exame de Física-Química A assalta-nos a todos uma dúvida: serão os exames este ano fáceis?
Os alunos e seus EE desejam que lhes corram bem os exames e que estes sejam fáceis, os professores secretamente desejam que sejam acessíveis e que correspondam em exigência ao trabalho desenvolvido durante o ano com os seus alunos.
Antes de mais convém esclarecer que não podemos classificar os exames em fáceis ou difíceis, pois isso é algo subjectivo e depende do nível de preparação do estudante. O exame deve reflectir em extensão e profundidade o programa oficial.
No entanto podemos aferir o nível de discriminação e de facilidade. O nível de discriminação reflecte a capacidade de a prova distinguir os alunos e o indicie de facilidade avalia o nível de resposta dos alunos.
É pouco sério afirmar que o ME consegue “controlar” os resultados das provas de exame, e afirma-lo seria afirmar duas coisas distintas: que é possível faze-lo e que o faz.
No entanto a o Gave utiliza hoje um conjunto de ferramentas estatísticas que permite avaliar previamente os alunos e as suas capacidades. A realização de provas intermédias permite traçar um perfil dos alunos antes de os submeter a exame nacional. Todas as escolas enviam com detalhe os resultados obtidos pelos alunos nas provas, questão a questão, alínea a alínea. O controlo de algumas variáveis, como o nível cognitivo das questões, assuntos, níveis de discriminação de dificuldade, permitem conhecer com alguma fiabilidade os alunos e não será difícil desenhar uma prova controlando essas mesmas variáveis.
Seria extremamente útil aos professores conhecer em detalhe essas análises, pois constituiriam uma forma de objectivamente melhorarem a forma como trabalham e melhor atingirem os objectivos programáticos. No entanto até hoje não foi divulgado, pelo Gave, qualquer relatório sobre o perfil dos alunos, suas dificuldades e orientações a seguir.
Esta informação, científica, de valor é útil.
Se ME dá orientações aos “criadores” das provas de exame, não é possível afirma-lo. No entanto basta que a prova apresente um baixo nível de discriminação e um nível de facilidade médio, para que a média nacional suba, pois a distribuição das classificações reduz-se aproximando-se do valor médio. Sendo que existem sempre mais alunos com piores resultados do que alunos com melhores resultados, os resultados serão melhores que o ano anterior.
Lembramos que este ano uma série de medidas foram tomadas, nomeadamente o aumento da carga horária para um melhor cumprimento dos programas – a realização das actividades experimentais. Seria interessante conhecer o nível de cumprimento das actividades experimentais em todas as escolas deste país, públicas e privadas. Principalmente sabendo que uma boa parte não tem condições para a sua realização.
Sabemos também que as aprendizagens não são como os bolos, que quanto mais se comem mais se engorda. Pelo contrário o tempo de maturação é essencial para o desenvolvimento das capacidades dos alunos. Assim sendo não é com mais aulas que se suprimem dificuldades.
Aguardamos com curiosidade os exames e a divulgação de um relatório detalhado com os resultados das provas intermédias e exames, nomeadamente com as análises já aqui referidas.
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